22 abril, 2012

Demi Lovato cede entrevista a "Fabolous Magazine"

Matéria Por: Fabolous Magazine
Adaptação: Equipe Demi Web Brasil

Ela era a impecável estrela da Disney, destinada a uma carreira brilhante. Mas Demi Lovato acabou na reabilitação após cair em uma estrada auto-destrutiva. 

Você não iria imaginar isso ao ver nossa sessão, mas Demi Lovato detesta que tirem fotos suas. Profissional como a cantora de 19 anos é em fazer poses, seu alívio era evidente assim que terminamos o photoshoot. “Me senti desconfortável hoje,” ela admite. “Saber que tenho ângulos não tão bacanas e que o fotógrafo pode tirar uma foto ruim me deixa insegura. Mas estou bem melhor do que costumava ser. No meu primeiro shoot depois do tratamento, eu tive um colapso e saí correndo do estúdio. Desde então, tenho feito progresso.”

É um belo de um eufemismo. Esta é a garota, apesar de tudo, que encontrou a fama como atriz quando tinha apenas sete anos. Aos quinze, ela já era uma pop star, rotulada como a sucessora de Miley Cyrus ao trono de rainha adolescente. 

Ainda assim, por trás do sorriso cativante e da bela voz, Demi, como muitas outras estrelas mirim antes dela, estava se auto-destruindo. A bulimia – da qual ela sofria desde os doze anos de idade – assolava seu corpo. Então, veio a bebida, o relatado abuso de cocaína, depressão e auto-mutilação. Em novembro de 2010, ela decaiu em público. 

Após socar uma dançarina em um avião durante uma turnê, Demi entrou em reabilitação por três meses. Em seguida, tirou mais seis meses nos quais ela ficou tão desiludida pela indústria, que considerou se aposentar. Só agora, quando seu terceiro álbum, “Unbroken”, foi lançado, ela se sente pronta para retornar aos holofotes – e falar sobre a cultura brutal de Hollywood que quase a destruiu. “Não estou dizendo que sou perfeita, ou que já melhorei, mas estou aprendendo a me amar e aceitar. Minhas visões são mais positivas e estou feliz,” ela diz. 

Cercada por um segurança e meia dúzia de sacolas da Topshop – em uma sessão de compras relâmpago – a nativa de Albuquerque (New Mexico) é cautelosa, mas honesta, e refrescantemente livre de qualquer papinho psicótico que você esperaria de uma celebridade que passou três meses internada. Quaisquer cicatrizes provenientes da auto-mutilação estão escondidas por tatuagens em seus pulsos, que dizem “Stay” e “Strong” – um tributo a seus fãs, por terem apoiado. 

Demi saiu nas telas em 2005, como Angela, na série infantil “Barney & Friends.” Aos 14, ela caiu no papel de Mitchie, no filme da Disney “Camp Rock”, e no seriado “Sonny With a Chance.” Ela era parte de um grupo exclusivo de atores e atrizes adolescentes, incluindo os Jonas brothers, Selena Gomez e Miley Cyrus, que – como Britney e Christina antes deles – tinham a boa aparência e as personalidades discretas requeridas pela máquina Disney. 

Mas, assim que o estrelato subiu, também subiu o número de ‘bullies’ de sua escola em Dallas, Texas. “Me chamavam de vadia, e me falavam que eu era gorda e feia. Eu não deveria ter ouvido, mas levei isso pessoalmente e doeu. Achei que talvez não tivesse amigos por ser muito gorda,” ela recorda. Então, ela se forçou a passar fome, e vomitava qualquer coisa que comesse. Em seis meses, ela diminuiu dois números e pesava por volta de 40 quilos – nada saudáveis para seus 1,57m de altura. 

“Eu vomitava umas seis vezes por dia,” ela conta. “Minha mãe estava preocupada, mas já que eu estava na puberdade, tinha surtos de crescimento, então ela assumiu que foi por isso que eu estava tão magra.” - Espiral de decadência - Quando a magreza não forneceu os amigos ou a felicidade a qual almejava, Demi procurou consolo em drogas. Comentava-se que ela estava abusando de cocaína, mas Demi – ciente de sua influência em seus fãs mais jovens – reluta em entrar em detalhes.

“É algo do qual eu realmente não quero falar,” ela diz, se desculpando. “O que posso dizer, é que eu estava deprimida. Eu saía do palco, da frente de 18 mil pessoas e, de repente, eu estava sozinha num quarto de hotel. Eu ficava triste e tentava achar uma maneira de recriar aquele sentimento, de ficar ‘pra cima.” Morar em Hollywood facilitava o acesso a substâncias ilegais. “Os promotores me davam drogas e álcool em restaurantes e clubes. Eles queriam que eu voltasse, para ser vista lá. Eles estavam, basicamente, puxando meu saco,” ela fala; um flash de raiva brevemente interrompendo seu comportamento alegre. 

“Eu achava que eles eram meus amigos. Achei que estivesse me divertindo. Ser uma celebridade é muito perigoso. Ninguém te diz ‘não’. Por isso que muitos acabam morrendo de overdose. Isso poderia, sim, ter acontecido comigo.” Quando drogas não bloquearam sua dor, ela se cortava. “Comecei com meus pulsos. As pessoas viam, então passei a me cortar em lugares que eles não podiam ver.” “Você faz isso porque se sente tão mal por dentro. Você não sabe como descontar a não ser em si mesmo.” Demi – cuja mãe, Dianna, uma ex-líder de torcida, se divorciou de seu pai Patrick quando Demi tinha apenas dois anos – se sentiu incapaz de confiar em seus pais. 

“Eu ia levar uma bronca se eles descobrissem. Eles estavam preocupados, mas eu sabia que eles não entenderiam. Foi difícil me abrir com meus amigos. As pessoas estavam lá por mim, mas eu não as utilizava. Desejo ter aproveitado isso? Sim.” Ao invés disso, ela se atirou no trabalho. O primeiro álbum, “Don’t Forget”, foi lançado em 2008. No ano seguinte, ela estrelou no filme “Princess Protection Program”, e lançou seu segundo disco, “Here We Go Again.” Ele chegou a ficar na primeira posição das paradas americanas. “Fui de filme, a álbum, a turnê, pra televisão e por aí vai,” diz a estrela. 

“Estar sob os holofotes não foi a raiz dos meus problemas, mas também não ajudou nem um pouco. Eu nunca tirei mais do que duas semanas de folga em quatro anos, e sofri as conseqüências disso.” - A pior parte. - Após Demi dar um soco na dançarina Alex Welch em novembro de 2010, alegadamente porque ela acreditava que Alex havia contado ao empresário da turnê sobre seu comportamento inapropriado, sua família e empresários finalmente reconheceram a extensão de seus problemas e a enviaram para a reabilitação. “Não foi minha ideia, mas também não resisti.” Ela passou os próximos três meses na clínica Timberline Knolls, em Illinois. 

“Foi muito, muito difícil e assustador,” ela conta. “Tinha saudades de casa, e estava sozinha. Muitas vezes, pensei ‘foda-se, vou embora.’ Mas minha mãe me dizia que eu iria me arrepender. Era minha única chance.” Lentamente, ela começou a se recuperar. “Tinha 14 horas de terapia por dia. Ouvia música e aprendi a tricotar. Quando eu saí, foi como ser liberada da prisão.” Após ser liberada em janeiro de 2011, ela tirou seis meses de férias, e gostou tanto que considerou a idéia de ficar fora dos holofotes de vez. “Não sabia se ia conseguir voltar ao trabalho, mas sabia que ia ficar entediada demais. Não me veria indo para a faculdade ou trabalhando das nove às cinco.” Setembro passado, ela retornou aos palcos no Hammerstein Ballroom, em Nova York. “Foi incrível. Apesar de a tentação ser enorme, aprendi a lidar com ela.” 

As músicas de seu novo disco refletem suas dores, e inclui “For The Love Of A Daughter”, que fala sobre a distância entre Demi e seu pai biológico, após ele ter feito uma série de entrevistas sobre ela – aparentemente com o interesse de faturar em vantagem da notoriedade de sua filha. A traição ainda é crua e dolorosa, e Demi diz não ter nenhum interesse em refazer uma relação com ele. - Uma longa estrada - Demi não tem planos de voltar a atuar até que esteja completamente confiante. “Preciso estar segura com meu corpo antes de voltar pra frente das câmeras. Qualquer um em recuperação de um distúrbio alimentar ia achar isso desencadeador; e eu não estou pronta.” 

Ela admite que seu estonteante corpo – de tamanho 42 – é algo com o qual ela ainda está se acostumando. “Após tanto tempo sendo magra, é assustador se sentir mais ‘pesada’. Mas sou uma garota hispânica, com curvas naturais. Não passo vontade – comi um Kit Kat ontem à noite, mas não como porcaria todo dia. Tenho um serviço de refeição que leva comida em casa pra mim, assim eu não tenho que ficar pensando muito em ser saudável.” Apesar de não beber mais, Demi admite que já se auto-mutilou e vomitou após deixar a clínica. “Dei umas mancadas, mas cada vez aprendi mais, e já não acontece com tanta freqüência,” ela conta. 

Ela ainda é amiga de Miley Cyrus, e encontrou uma aliada improvável em Cheryl Cole, que, após assistir um documentário recente na MTV sobre os problemas de Demi, twittou seu apoio. “Fiquei super animada! Adoraria conhecê-la.” Solteira atualmente, seus ex-namorados incluem Joe Jonas, de 22 anos e o ator Wilmer Valderrama, de 32. “Não estou namorando, mesmo. Adoro namorar, mas preciso me sentir segura sozinha antes.” Apesar de Demi ter passado por uma vida de problemas antes mesmo de completar 20 anos, ela insiste que não tem arrependimentos. 

“Teve horas em que eu desejei ter sido uma adolescente normal, para poder cometer erros sem ser crucificada por eles. Mas não fico velando a infância que nunca tive. Prefiro ter viajado o mundo e ter lançado discos do que ter ficado no colegial.” Quanto aos colegas que fizeram da vida dela um inferno? “Não penso ou ligo pra eles. Não mudaria nada do que passei. Aprendi com isso e fiquei mais forte.”


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